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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Os conselhos de Santo Tomás de Aquino a um estudante que queria crescer em cultura.

"É sábio trabalhar a partir do mais simples até chegar ao mais difícil"
Meu caro João,

Você me perguntou como adquirir uma rica bagagem cultural. Aqui estão os meus conselhos.

1. Não mergulhe de cabeça no mar de conhecimento, mas tente chegar a ele através de córregos menores. É sábio trabalhar a partir do mais simples até chegar ao mais difícil. Este é o meu primeiro conselho e você faria bem em segui-lo.

sexta-feira, 28 de março de 2014

“Humanização de Deus, divinização do Homem”.

   A Encarnação do Verbo eterno de Deus no Homem Jesus Cristo é o mistério central da nossa fé, e situa, em termos únicos e definitivos, a religião, concebida como relação dos homens com Deus. A Encarnação é uma manifestação tão ousada e inaudita da relação de Deus com o homem, que só Deus, no Seu insondável desígnio, a podia imaginar e realizar. A fé de Israel estava centrada na Aliança entre Deus e o Seu Povo, proposta de intimidade e fidelidade mútua entre os homens e Deus. A Aliança apresentava um Deus próximo, bom e misericordioso, solícito com os homens, presente e comprometido com a sua história. Pela Sua Palavra, revela-Se e desvela o Seu desígnio; pelo Seu poder conduz a história; pela Sua misericórdia está sempre disposto a perdoar e a transformar as infidelidades em momentos de redenção e de aprofundamento da Aliança. Mas, como diz São João, “a Deus ninguém jamais O viu”. Fala através dos Profetas, conduz o Povo através de Juízes e de Reis que Ele deseja sejam “pastores de Israel”, e promete um tempo novo de consolidação definitiva da Aliança, em que enviará um “Rei Justo”, o Seu ungido, que conduzirá o Povo à plenitude da Aliança. Na fé de Israel, a densidade da Aliança concentra-se na esperança messiânica.

   Mas em nenhum momento do Antigo Testamento, por mais profunda que seja a expectativa messiânica, se ousa afirmar a divindade do Messias esperado. Ele é um príncipe da linhagem de David, realizará acções que só Deus pode realizar, como salvar o Povo dos seus pecados; Ele realizará a obra de Deus, será o Seu “Servo” por excelência. É certo que, em perspectiva escatológica, chega a ser imaginado como uma figura celeste, um “Filho do Homem”, que aparece sobre as nuvens do Céu. Mas que o Messias seja a Encarnação do próprio Deus, é a surpresa reservada por Deus para os que acreditarem na ressurreição de Jesus Cristo. A divindade de Cristo continua a ser a surpresa inaudita da fé cristã, afirmação da humanização de Deus e da divinização do homem, novo capítulo da “nova e definitiva Aliança”. Em relação ao homem, Deus afirma-se mais pela proximidade do que pela distância; diz-nos que, vencido o pecado, há na profundidade do homem a capacidade de ser semelhante a Deus. Afinal Deus e o homem são da mesma família, o que já estava sugerido na narração da criação, quando se diz que Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança.

terça-feira, 25 de março de 2014

Faz de conta.

Recentemente uma professora, que veio da Polônia para o Brasil ainda muito jovem proferia uma palestra e, com muita lucidez, trazia pontos importantes para reflexão dos ouvintes.
"Já vivi o bastante para presenciar três períodos distintos no comportamento das pessoas", dizia ela.
"O primeiro momento eu vivi na infância, quando aprendi de meus pais que era preciso ser. Ser honesta, ser educada, ser digna, ser respeitosa, ser amiga, ser leal".
"Algumas décadas mais trade, fui testemunha da fase do ter. Era preciso Ter. Ter boa aparência, ter dinheiro, ter status, ter coisas, ter e ter...".
"Na atualidade, estou presenciando a fase do faz de conta".
Analisando sob esse ponto de vista, chegaremos à conclusão de que a professora tem razão.
Hoje, as pessoas fazem de conta e está tudo bem.
Pais fazem de conta que educam, professores fazem de conta que ensinam, alunos fazem de conta que aprendem.
Profissionais fazem de conta que são competentes, governantes fazem de conta que se preocupam com o povo e o povo faz de conta que acredita.
Pessoas fazem de conta que são honestas, líderes religiosos se passam por representantes de Deus, e fiéis fazem de conta que têm fé.
Doentes fazem de conta que têm saúde, criminosos fazem de conta que são dignos e a justiça faz de conta que é imparcial.

segunda-feira, 24 de março de 2014

O Pão de mil sabores.

(Sb 16, 21)

Narra o livro do Êxodo que o povo de Israel, atravessando o deserto no século XVI a.C, sentiu fastio do alimento que Deus lhe dava, o maná, e revol­tou-se contra Moisés dizendo: "Privados de tudo, nossos olhos só vêem maná" (Ex11,6). - De fato o maná devia ser insípido, pois coincidia com a semente de coentro.
Ora por volta do século X a.C, o salmista escrevia: "Cada um comeu o pão dos anjos mandou-lhes .... em fartura" (SI 78, 25).
Mais adiante ainda no século I a.C, o autor do livro da Sabedoria escre­via: "Este sustento (o maná)... servia ao desejo de quem o tomasse, um pão de mil sabores ao gosto de todos" (Sb 16, 21).
Estes testemunhos, em aparente contradição, podem deixar o leitor perplexo.
Na verdade, pertencem a um gênero literário dito "midrasche", que con­siste em reler o passado à luz da fé. No caso citado pode-se dizer que o maná era realmente insípido, mas, numa releitura feita séculos mais tarde, o leitor vê nele o penhor da entrada na Terra Santa; foi o maná que deu forças aos israelitas para caminharem peto deserto durante quarenta anos. Então foi ali­mento maravilhoso... "de mil sabores".

A Pedra.

O distraído nela tropeçou...
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês, cansado da lida, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.
Drummond a poetizou.
Já Davi matou Golias,
e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura...
E, em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem! Não existe "pedra" no seu caminho que você não possa aproveitar para o seu próprio crescimento.

A história do lápis.

O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E, por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz. Note bem, primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas nunca deve esquecer que existe uma Mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade.