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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

As 24 Teses Tomistas

“Estas célebres teses foram logo comentadas amplamente por insignes tomistas e é necessário convir que verdadeiramente expressam as fontes básicas do Tomismo: poder-se-ão discutir alguns aspectos particulares, sobre a ordem seguida, a fidelidade das expressões quanto às fórmulas, ou o próprio número, mas sobre a qualidade do elenco e do conteúdo ninguém poderá duvidar” Cornélio Fabro, Introduzione a San Tommaso – La Metafísica Tomista e Il Pensiero Moderno. Milano: Ed. Ares, 1960, 2ª ed. 1983, p. 168.

Ontologia

Tese I

A Potência e o Ato dividem o ente de tal modo que tudo o que é, ou será Ato Puro ou composto necessariamente de potência e ato como princípios primeiros e intrínsecos.

A INVEJA - Curso da Série Os 7 Pecados Capitais

O propósito deste minicurso é apresentar a inveja como vício eminentemente espiritual, ou seja: como hábito degradante da ordem dos que não têm nenhuma comunhão com o corpo – diferentemente da luxúria e da gula, por exemplo.

Definida como “ódio à excelência alheia”, a inveja será apresentada como fator de desequilíbrio psíquico e moral, sendo os seus graus de maldade mensurados pelo tipo de bens contra os quais se dirige.

O método de apresentação será o mais próximo possível do escolástico:

Santo Tomás de Aquino refutado os hereges

Uma suposta refutação para as cinco vias de Santo Tomás de Aquino.
.
O autor considera o seguinte (ver item 3.3, do link):.a) o argumento (do Ser necessário, de Santo Tomás) não considera a possibilidade lógica de as coisas terem existido sempre, apenas se transformando;
.
b) o argumento comete a falácia de composição, a qual consiste em atribuir que as partes é igual ao todo — o enunciado “para cada coisa houve um tempo em que não existiu” constitui uma referência e, o enunciado “houve um momento em que nada existia” pertence a uma outra referência; são referências de natureza diferentes e sem relação entre si.


Infelizmente o autor não discorre muito (por que será?). Não diz, por exemplo, porque que “são de naturezas diferentes e sem relação entre si”, apenas faz a afirmação.

AD Sertillanges - A vida intelectual (Neotomismo)

Neotomismo é um movimento de retorno à filosofia tomista da Idade Média, resgatada à luz de tendências intelectuais modernas e retomada especialmente a partir de 1879, por influência de uma encíclica do Papa Leão XIII.
O Neotomismo é a corrente filosófica que resgata o Tomismo, a filosofia do pensador italiano Santo Tomás de Aquino, com o objetivo de resolver problemas contemporâneos. Para o Neotomismo, toda a filosofia moderna, a partir de Descartes, constituir-se-ia em erros e equívocos, responsáveis pela crise do mundo moderno.

Na visão neotomista, é inaceitável privilegiar interesses de ideologias como o neoliberalismo ou comunismo por exemplo, ou instituições como empresas e o governo, em detrimento do direito do ser humano a uma vida digna e tudo que ela acarreta: a liberdade, a saúde, o emprego e a habitação.

Abaixe o PDF:

Qual o valor do tomismo hoje?

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Outro dia um aluno do curso de filosofia  perguntou-me se a ciência moderna anulava ou contradizia alguma das teses da filosofia de Santo Tomás, um pensador medieval.

A referida pergunta procede e versa sobre um assunto a ser investigado. Mas deve-se dizer que, para analisar tal problema, é preciso logo de princípio fazer uma distinção entre o campo estrito da metafísica e outros tratados filosóficos. Sendo a metafísica o estudo do ser enquanto ser, separado das qualidades sensíveis e da quantidade (terceiro grau de abstração), não compete às ciências físicas imiscuir-se em seu terreno e querer aplicar aí seu método de investigação. Deus, Ato Puro, Ser Absoluto, Causa Primeira, nunca será objeto de investigação científica, se por ciência se entendem apenas as ciências empíricas. A legitimidade da metafísica consiste justamente em provar que as outras ciências são subalternas em relação a ela na medida em que suas conclusões e respostas não são exaustivas, mas, ao contrário, sempre se limitam àquilo que é contingente e não se explica por si mesmo e, por conseguinte, é dependente do Ser Necessário.

Livro Gustavo Corção - Dois Amores Duas Cidades

Cristianismo e humanismo

Em artigo intitulado Humanismo Cristão, e publicado no GLOBO de 23-11-1975, o Ministro Júlio Barata referiu-se a meu nome e a minha obra em termos extremamente lisonjeiros que exigem meu agradecimento, mas que não me podem dispensar de mais algumas palavras de penosas retificações.

Foi nos idos de 1952 que conheci, de longe, o professor Júlio Barata, quando tive o prazer de assistir à sua aula e defesa de tese no concurso para a cátedra de Filosofia do Colégio Pedro II. Era sem sombra de dúvida o mais competente dos candidatos, mas a banca examinadora, com uma grosseira e escandalosa injustiça, deu as mais altas notas a um Centauro, que da Filosofia só conhece os honorários. Embora em campos políticos opostos, fiz questão de homenagear o injustiçado, com meu inútil protesto publicado dias depois nas colunas dos jornais. Trago à lembrança do professor Júlio Barata este remoto testemunho para reforçar a cordialidade e o respeito em que coloco hoje meus agradecimentos e minhas inevitáveis discordâncias.

Tomismo: O que é Tomista?

A Escola Tomista: definição, critério, cronologia e futuro do Tomismo.

1. O que é Tomista?

A palavra Tomista serve para designar pessoas ou doutrinas que se inspiraram ou se inspiram no Tomismo. Por Tomismo entende-se todo o sistema filosófico-teológico de São Tomás de Aquino. Em síntese, Tomistas são os que seguem o pensamento de São Tomás ou alguma de suas doutrinas.

2. Quem é Tomista?

São considerados tomistas não somente os que comentaram ou defenderam tal pensamento senão, também, os que o divulgaram e o apresentaram. São formas de divulgação e apresentação a tradução e a exposição.

3. Qual critério para ser tomista?

Não raro alguns autores edificaram suas doutrinas inovadoras inspiradas nalguma tese tomista. São estes também tomistas? Qual o critério para ser tomista? Existe um critério específico para dizer-se tomista? Podemos responder tais perguntas dizendo que os critérios são conhecimento e fidelidade ao pensamento de Tomás de Aquino. O conhecimento e a fidelidade não anulam a originalidade de interpretação de alguma tese, conquanto não a distorça, mal interprete ou a negue. Portanto, o conhecimento exige estudo, entrega, superação das dúvidas e compreensão; e a fidelidade a honestidade, compromisso e veracidade de utilizá-lo no contexto devido, segundo o seu sentido dado por Tomás. Neste sentido, o pensamento de Tomás é fonte de inspiração para novas teses.

domingo, 13 de novembro de 2016

Introdução ao Pensamento Político de Santo Tomás de Aquino

Santo Tomás de Aquino e Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa
Palestra (com o áudio masterizado) ministrada pelo Padre João Batista de A. Prado Ferraz Costa, no grupo de estudos políticos e filosóficos da Capela Santa Maria das Vitórias. Saiba mais...

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Sobre este tal "Boi Mudo": Vida e Obra de Tomás de Aquino (Vídeo/Áudio)

Carlos Nougué fazendo Hangout no Programa Terça Livre
Neste Hangout especial, o professor Carlos Nougué contar-nos-á a história biográfica e também a magnífica obra daquele que foi o maior filósofo de todos os tempos: Tomás de Aquino, também conhecido como o "Boi Mudo".

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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Carlos Nougué - A liberdade segundo Santo Tomás de Aquino (Palestra)

Carlos Nougué, na casa do senhor Plínio Magno
A palestra “A liberdade segundo Santo Tomás de Aquino” foi ministrada no dia 6/8/2016 na casa de Plínio Magno, em Lauro de Freitas, cidade vizinha a Salvador (BA).

Parte 1:
Parte 2:


sábado, 25 de junho de 2016

Carlos Ramalhete - Tolerância (Ouça)

Professor de filosofia e funcionário público, Carlos Ramalhete, escreve semanalmente na editoria de opinião do jornal paranaense Gazeta do Povo e foi um dos pioneiros a fazer apologética católica em meios eletrônicos e digitais, no Brasil. O Prof. Carlos, como é conhecido, nasceu no Rio de Janeiro, na década de 60, e foi aluno de Dom Estêvão Bettencourt no Seminário Arquidiocesano do Rio de Janeiro.

domingo, 4 de outubro de 2015

O Mundo de Sofia

O Mundo de Sofia, minissérie baseada no best-seller internacional de Jostein Gaarder, que vendeu mais de 20 milhões de livros ao redor do mundo e foi traduzido para mais de 40 idiomas.

Às vésperas de completar 15 anos, Sofia Amundsen recebe mensagens anônimas com perguntas intrigantes, como "quem é você?" e "de onde vem o mundo?". A partir dessas mensagens, ela se torna aluna do misterioso Alberto Knox, que a acompanha em uma fascinante jornada pela história da Filosofia, de Sócrates até os dias de hoje, passando pela Idade Média, o Iluminismo, a Revolução Francesa e a Revolução Russa.

Como o livro no qual se baseia, a minissérie O Mundo de Sofia é uma introdução inteligente a divertida à história da Filosofia, recomendada a todos que tem paixão pelo conhecimento.

Assista:

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Os conselhos de Santo Tomás de Aquino a um estudante que queria crescer em cultura.

"É sábio trabalhar a partir do mais simples até chegar ao mais difícil"
Meu caro João,

Você me perguntou como adquirir uma rica bagagem cultural. Aqui estão os meus conselhos.

1. Não mergulhe de cabeça no mar de conhecimento, mas tente chegar a ele através de córregos menores. É sábio trabalhar a partir do mais simples até chegar ao mais difícil. Este é o meu primeiro conselho e você faria bem em segui-lo.

sábado, 22 de agosto de 2015

Bom humor e brincar em Santo Tomás de Aquino.

BOM HUMOR E BRINCAR EM S. TOMÁS DE AQUINO


Luiz Jean Lauand

( O Tratado sobre o brincar de Tomás de Aquino corresponde ao In X Libros Ethicorum, IV, 16 - Comentário à Ética de Aristóteles. A presente tradução foi feita a partir do texto latino da edição de Marietti, Turim, 1934).

Apresentamos, a seguir, o Tratado sobre o Brincar de S. Tomás de Aquino (1225-1274), o principal pensador medieval.

Dentre os diversos preconceitos a respeito da Idade Média, um dos mais injustos é o que a concebe como uma época que teria ignorado, ou mesmo combatido, o riso e o brincar. Na verdade, o homem medieval é muito sensível ao lúdico; convive a cada instante com o riso e com a brincadeira.


Comecemos pela fundamentação teológica do lúdico. Recordemos que o cristianismo (tão marcante na Idade Média), ao dar ao homem um vivo sentido de mistério e uma humildade anti-racionalista (não anti-racional; anti-racionalista!), dá-lhe também o senso de humor. Pois a leveza do riso pressupõe a aceitação da condição de criatura, de que o homem não é Deus, do mistério do ser, da não-pretensão de ter o mundo absoluta e ferreamente compreendido e dominado pela razão humana. O racionalismo, pelo contrário, é sério; toma-se demasiadamente a sério e, por isto mesmo, é tenso e não sabe sorrir.


O homem medieval brinca porque acredita vivamente naquela maravilhosa sentença bíblica que associa o brincar da Sabedoria divina à obra da Criação: quando Deus criou o mundo e fez brotar as águas das fontes, assentou os montes, fez a terra e os campos, traçou o horizonte, firmou as nuvens no alto, impôs regras ao mar e assentou os fundamentos da terra "ali estava Eu (a Sabedoria divina) com Ele como artífice, brincando (ludens) diante dEle todo o tempo; brincando (ludens) sobre o globo terrestre, e minhas delícias são estar com os filhos dos homens" (Prv 8,30-31).


Já de outro ponto de vista, o histórico-psicológico, também é facilmente compreensível a atitude lúdica da Idade Média, uma época jovem. A juventude e a velhice não se predicam só das pessoas singulares, mas também das épocas e regiões. A atitude jovem que distingue hoje a América é semelhante à que caracteriza a Idade Média.


Assim, a Idade Média (sobretudo a Primeira Idade Média), na ingenuidade de sua juventude, valorizou, mais do que qualquer outra época, a cultura popular. Fomentou-a. Os mais sábios mestres dirigem-se a seus alunos de modo informal e lúdico (aliás um dos sentidos derivados de ludus é escola; fenômeno paralelo ao da derivação de escola de scholé, lazer). Em Alcuíno (séc. VIII), por exemplo, encontramos diálogos repletos de enigmas, brincadeiras e piadas, pois - é a sua norma pedagógica - "deve-se ensinar divertindo". Para a época, é perfeitamente natural que um intelectual do porte de um Alcuíno ensine às crianças através de brincadeiras, como a seguinte:

"Se me lês na ordem certa, comes-me;
se me lês de trás para diante, cavalgas-me.
Quem sou eu?"
O exemplo acima é um típico exercício da escola elementar medieval, unindo o didático ao lúdico. "Cavalgar" exige complemento direto, acusativo. O aluno que esquecesse deste ponto da gramática não resolveria a adivinha; já aquele que se lembrasse, saberia que a palavra em questão começa e termina por m: malum (pomo) e mula (ou, no acusativo, mulam) é a solução.

E no ensino de Aritmética é freqüente encontrarmos problemas com enunciado lúdico. Por exemplo: "Numa escada com 100 degraus, no 1º. degrau está pousada uma pomba; no 2º., 2; no 3º., 3; e assim por diante até o 100º. Diga, quem puder, quantas pombas há no total? (1)"


Não só o conteúdo do ensino era apresentado de forma jocosa; pratica-se nas escolas dos monges o lúdico também para "aguçar o engenho das crianças". Misturados em listas medievais de ensino elementar de Aritmética, encontramos problemas como este: "Um homem devia passar de uma a outra margem de um rio, um lobo, uma cabra e um maço de couves. E não pôde encontrar outra embarcação a não ser uma que só comportava dois entes de cada vez, e ele tinha recebido ordens de transportar ilesa toda a carga. Diga, quem puder, como fez ele a travessia? Resposta: Primeiro leva a cabra, deixando o lobo e a couve. Depois volta e retorna com o lobo. Deixado o lobo, toma a cabra etc.".


O lúdico como atitude recebe também uma fundamentação filosófica, particularmente em Tomás de Aquino, que entoa o elogio do brincar. A atualidade de seu pensamento manifesta-se de modo mais agudo na Ética, campo em que Tomás situa o lúdico.


Tomás trata tematicamente do brincar no Comentário à Ética de Aristóteles (IV,16) e na Suma Teológica, II-II, questão 168, artigos 2, 3 e 4, que comentaremos brevemente, a seguir.


Observemos desde já que em todos os textos de Tomás recolhidos neste trabalho, traduziremos ludus por brincar. E deixemos claro que oludus de que Tomás trata nestes textos é sobretudo:

- o brincar do adulto (embora nada impeça que - com as devidas adaptações - se aplique também às crianças).
- a graça, o bom humor, a jovialidade e leveza no falar e no agir, que tornam o convívio humano descontraído, acolhedor, divertido e agradável (ainda que possam se incluir nesse conceito de brincar também as brincadeiras formalmente estabelecidas como tais).
- virtude da convivência, do relacionamento humano.
Ainda uma observação sobre as palavras ludus e jocus. No latim, a palavra jocus é originalmente reservada para as brincadeiras verbais: piadas, enigmas, charadas etc. Já ludus - de que se originaram as palavras: aludir, iludir, ludibriar, eludir, prelúdio etc. - refere-se, originalmente, ao brincar não-verbal, mas por ação. No século XIII, jocus e ludus são usadas como sinônimas: "As palavras ou ações - diz Tomás em II-II, 168, 2, c - nas quais só se busca a diversão chamam-se lúdicas ou jocosas" e "a distração se faz pelas brincadeiras (ludicra) de palavra e ação (verba et facta)".

Assim, o lúdico assume diversas dimensões: o estado de espírito de brincar e suas eventuais manifestações em brincadeira verbal, a de ação e a de jogos. Porém, para bem compreendermos o tratamento que Tomás dá ao brincar, é necessária uma breve exposição de sua concepção de ética.


Para Tomás, a moral é o ser do homem, doutrina sobre o que o homem é e está chamado a ser. A moral é entendida como um processo de aperfeiçoamento, de auto-realização do homem; um processo levado a cabo livre e responsavelmente e que incide sobre o nível mais fundamental, o do ser-homem: "Quando, porém, se trata da moral, a ação humana é vista como afetando não a um aspecto particular, mas à totalidade do ser do homem... ela diz respeito ao que se é enquanto homem" (I-II, 21, 2 ad 2).


A moral, nesse sentido, pressupõe antes e acima de tudo conhecimento sobre o ser do homem; um conhecimento que, insistamos, remete a um único fundamento: a natureza humana. Deste modo, toda norma moral deve ser entendida como um enunciado a respeito do ser do homem e toda transgressão moral traz consigo uma agressão ao que o homem é. Para Tomás, cada norma moral é, na verdade, um enunciado sobre o ser. Os imperativos dos mandamentos ("Farás x...", "Não farás y...") são, no fundo, enunciados sobre a natureza humana: "O homem é um ser tal que sua felicidade, sua realização, requer x e é incompatível com y".


Neste quadro, podemos compreender a doutrina de Tomás sobre a virtude. A virtude - como também seu oposto: o vício - é um hábito (naturalmente, a virtude é hábito bom; e o vício, mau). O nosso tempo anda tão desorientado no que diz respeito à Educação Moral que a própria palavra hábito nos causa aversão: associamos hábito a condicionamento, domesticação etc. Porém, o verdadeiro sentido do hábito, o que lhe dá Tomás, nada tem que ver com essas deformações. Hábito é pura e simplesmente uma qualidade adquirida (auto-adquirida e livremente desenvolvida) que facilita e aperfeiçoa a ação e aperfeiçoa também o próprio homem.


O bem objetivo sobre o qual incide a virtude costuma situar-se como um termo médio entre dois extremos de vício: o do excesso e o do defeito. Daí o adágio "in medio virtus", a virtude está no meio, com o que, naturalmente, não se afirma ser a virtude uma burguesa mediocridade de média, mas sim um agudo pico entre dois abismos de erro. Assim, por exemplo, a virtude da liberalidade, o reto uso do dinheiro, é termo médio entre a avareza e o malbaratar irresponsável.


Ao tratar do brincar na Suma, a afirmação central de Tomás (fundamentada na concepção de ética que indicamos) encontra-se no ad 3 do art. 3: Ludus est necessarius ad conversationem humanae vitae, o brincar é necessário para a vida humana (e para uma vida humana). A razão dessa afirmação, como sempre, a encontraremos no ser do homem, desenvolvida no artigo 2, que passamos a resumir. Nele, Tomás afirma que assim como o homem precisa de repouso corporal para restabelecer-se (sendo suas forças físicas limitadas, não pode trabalhar continuamente), assim também precisa de repouso para a alma, o que é proporcionado pela brincadeira.


Daí decorrem importantes conseqüências para a educação: o ensino não pode ser aborrecido e enfadonho: o fastidium é um grave obstáculo para a aprendizagem (2). A tristeza e o fastio produzem um estreitamento, um bloqueio, ou, para usar a metáfora de Tomás, um peso (aggravatio animi) (3). Daí que Tomás recomende o uso didático de brincadeiras e piadas: para descanso dos ouvintes (ou alunos). E, tratando do relacionamento humano, Tomás chega a afirmar que ninguém agüenta um dia sequer com uma pessoa aborrecida e desagradável (4).


Após estabelecer a necessidade do brincar, o Aquinate indica três precauções a tomar nessa matéria:


1. Evitar brincadeiras que envolvam agir ou falar torpe ou nocivo.

2. Não se deixar envolver tão desenfreadamente pelo brincar a ponto de perder a gravidade da alma. E aplica ao adulto o mesmo critério do brincar que se impõe às crianças: "não permitimos às crianças toda espécie de brincadeiras, mas só as que não sejam moralmente más".

3. Cuidar de que sejam adequados o momento ("brincadeira tem hora!"), o lugar ("Aqui não é lugar de brincadeira!") e as pessoas envolvidas.


Feitas essas considerações, Tomás conclui: "Vê-se pois que as brincadeiras devem ser ordenadas pela regra da razão (e razão, no caso, significa: conhecimento objetivo do ser). E o hábito que opera segundo a razão é a virtude moral. Há portanto uma virtude do brincar que é o que Aristóteles chama de eutrapelia".


(1) Este problema (e o seguinte) encontra-se na antologia de textos didáticos medievais, por nós publicada sob o título Educação, Teatro e Matemática Medievais, 2ª. ed., S. Paulo, Perspectiva, 1990.

(2) Suma Teológica, prólogo. Em outro lugar da Suma Teológica, no tratado sobre as paixões, Tomás analisa um interessante efeito da alegria e do prazer na atividade humana, o que ele chama metaforicamente de dilatação: que amplia a capacidade de aprender tanto em sua dimensão intelectual quanto na da vontade (o que designaríamos hoje por motivação): "A largura é uma dimensão da magnitude dos corpos e só metaforicamente se aplica às disposições da alma. 'Dilatação' indica uma extensão, uma ampliação de capacidade e se aplica à 'deleitação' (Tomás joga com as palavras dilatatio-delectatio) com relação a dois aspectos. Um provém da capacidade de apreender que se volta para um bem que lhe convém e por tal apreensão o homem percebe que adquiriu uma certa perfeição que é grandeza espiritual: e por isso se diz que pela deleitação sua inteligência cresceu, houve uma dilatação. O segundo aspecto diz respeito à capacidade apetitiva que assente ao objeto desejado e repousa nele como que abrindo-se a ele para captá-lo mais intimamente. E, assim, dilata-se o afeto humano pela deleitação, como que entregando-se para acolher interiormente o que é agradável" (I-II, 33, 1).
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(3) I-II, 37, 2, ad 2.


(4) I-II, 114, 2 ad 1.

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sábado, 11 de julho de 2015

Olavo de Carvalho - Aula 286 (28/03/2015).

Nesta aula o Prof. Olavo de Carvalho fala um pouco sobre o seu curso "Formação da Personalidade".


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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Olavo de Carvalho sobre o Seminário de Filosofia (Vídeo).

  Perfeito para quem ainda não é aluno e para àqueles que acompanham o Professor Olavo de Carvalho. www.seminariodefilosofia.org.

  Vídeo publicado originalmente no Seminário de Filosofia, mas atualmente não está disponível nem para visualizar, quanto para baixar. Provavelmente foi gravado no ano de 2009, inicio do curso online de Filosofia.

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domingo, 28 de junho de 2015

Terça Livre: Hangout com o Prof. Luiz Astorga, Doutor em Filosofia Tomista.

Hangout com o Prof. Luiz Astorga, Doutor em Filosofia Tomista pela Pontificia Universidad Católica de Chile.


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sexta-feira, 28 de março de 2014

“Humanização de Deus, divinização do Homem”.

   A Encarnação do Verbo eterno de Deus no Homem Jesus Cristo é o mistério central da nossa fé, e situa, em termos únicos e definitivos, a religião, concebida como relação dos homens com Deus. A Encarnação é uma manifestação tão ousada e inaudita da relação de Deus com o homem, que só Deus, no Seu insondável desígnio, a podia imaginar e realizar. A fé de Israel estava centrada na Aliança entre Deus e o Seu Povo, proposta de intimidade e fidelidade mútua entre os homens e Deus. A Aliança apresentava um Deus próximo, bom e misericordioso, solícito com os homens, presente e comprometido com a sua história. Pela Sua Palavra, revela-Se e desvela o Seu desígnio; pelo Seu poder conduz a história; pela Sua misericórdia está sempre disposto a perdoar e a transformar as infidelidades em momentos de redenção e de aprofundamento da Aliança. Mas, como diz São João, “a Deus ninguém jamais O viu”. Fala através dos Profetas, conduz o Povo através de Juízes e de Reis que Ele deseja sejam “pastores de Israel”, e promete um tempo novo de consolidação definitiva da Aliança, em que enviará um “Rei Justo”, o Seu ungido, que conduzirá o Povo à plenitude da Aliança. Na fé de Israel, a densidade da Aliança concentra-se na esperança messiânica.

   Mas em nenhum momento do Antigo Testamento, por mais profunda que seja a expectativa messiânica, se ousa afirmar a divindade do Messias esperado. Ele é um príncipe da linhagem de David, realizará acções que só Deus pode realizar, como salvar o Povo dos seus pecados; Ele realizará a obra de Deus, será o Seu “Servo” por excelência. É certo que, em perspectiva escatológica, chega a ser imaginado como uma figura celeste, um “Filho do Homem”, que aparece sobre as nuvens do Céu. Mas que o Messias seja a Encarnação do próprio Deus, é a surpresa reservada por Deus para os que acreditarem na ressurreição de Jesus Cristo. A divindade de Cristo continua a ser a surpresa inaudita da fé cristã, afirmação da humanização de Deus e da divinização do homem, novo capítulo da “nova e definitiva Aliança”. Em relação ao homem, Deus afirma-se mais pela proximidade do que pela distância; diz-nos que, vencido o pecado, há na profundidade do homem a capacidade de ser semelhante a Deus. Afinal Deus e o homem são da mesma família, o que já estava sugerido na narração da criação, quando se diz que Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança.

terça-feira, 25 de março de 2014

Faz de conta.

Recentemente uma professora, que veio da Polônia para o Brasil ainda muito jovem proferia uma palestra e, com muita lucidez, trazia pontos importantes para reflexão dos ouvintes.
"Já vivi o bastante para presenciar três períodos distintos no comportamento das pessoas", dizia ela.
"O primeiro momento eu vivi na infância, quando aprendi de meus pais que era preciso ser. Ser honesta, ser educada, ser digna, ser respeitosa, ser amiga, ser leal".
"Algumas décadas mais trade, fui testemunha da fase do ter. Era preciso Ter. Ter boa aparência, ter dinheiro, ter status, ter coisas, ter e ter...".
"Na atualidade, estou presenciando a fase do faz de conta".
Analisando sob esse ponto de vista, chegaremos à conclusão de que a professora tem razão.
Hoje, as pessoas fazem de conta e está tudo bem.
Pais fazem de conta que educam, professores fazem de conta que ensinam, alunos fazem de conta que aprendem.
Profissionais fazem de conta que são competentes, governantes fazem de conta que se preocupam com o povo e o povo faz de conta que acredita.
Pessoas fazem de conta que são honestas, líderes religiosos se passam por representantes de Deus, e fiéis fazem de conta que têm fé.
Doentes fazem de conta que têm saúde, criminosos fazem de conta que são dignos e a justiça faz de conta que é imparcial.